O NOVO – Expressão de Moda


O que é a Moda? Arte? Comércio? Indústria? O quê faz a Moda? Quem faz a Moda?

Foi a partir desta reflexão, ainda embrionária no contexto de moda no Brasil, que se sentiu a carência de eventos que tratassem a moda não apenas como um produto para ser vendido, mas também como expressão. A recente expansão que é vista hoje no mercado fashion brasileiro, representada pelo boom de faculdades e cursos de moda, não se reflete numa discussão mais abrangente acerca do papel da moda no cenário cultural brasileiro.

O Brasil ainda não tem um museu de moda significante. Pouco se entende do que é feito nas passarelas. A apreciação artística do trabalho de um profissional de moda é limitada a quem é do meio. Soma-se a isso, a constatação do pouco espaço dado hoje aos novos criadores brasileiros. A moda é a arte do efêmero e sempre se abastecerá do que é novo, do que transforma, do que evolui. Com essa base que se criou o projeto NOVO – Expressão de Moda, que vem evoluindo a cada edição para melhor atender os artistas brasileiros e claro, o público.

A primeira edição do projeto foi realizada em 2009, na Galeria Olido, no centro da cidade de São Paulo apresentando 21 artistas e teve um circuito de palestras e debates com profissionais bem conceituados do ramo. A escolha do local se deu a partir da idéia de levar a Moda a todos, com fácil acesso para todas as classes sociais. O principal conceito do NOVO sugeria apresentar e potencializar jovens artistas recém-formados, criando grande visibilidade aos novos talentos e claro, construir uma plataforma para esses em relação ao mercado atual. Apresentando o “objeto de moda” no contexto de uma galeria de arte,  as obras expostas (peças de roupas, joalherias, fotografias e ilustrações de moda) fazem parte do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) desses jovens criadores e dentro dessa mesma idéia, os símbolos mais comuns de sustentação da roupa como manequins, bustos, araras e cabides perdem suas funções e passam a atuar como elemento da obra.

A segunda edição aconteceu na antiga Galeria AEIOU, na Vila Madalena, e a escolha do local se deu ao fato da boa localização, bairro que possui muita diversidade de pessoas, e abriga não só uma boa vida noturna como casas/lojas de novos artistas. Esta edição expôs obras de 48 artistas. O NOVO acredita que, em se tratando de  trabalhos realizados com uma finalidade não comercial, a verdade e pureza dos conceitos exibidos são uma forma de trabalhar a moda não só como produto, mas também como obra de arte.

O NOVO também explorou, nessas duas edições passadas, este conceito na própria cenografia. A curadoria se apropriou das obras e reinterpretou os conceitos já pré-estabelecidos pelo artista, fazendo uma releitura do “objeto de moda” e criando novas formas e significados para os trabalhos, trazendo a tona o que se cria de novo, a cada temporada, e quem são estes personagens. A identidade de cada expositor se revelará não só através de sua obra, mas também impressa em catálogos (idealizados e produzidos pelo NOVO) doados ao público, e através do registro de depoimentos desses jovens em formato de vídeo. Neste registro é apresentado o processo criativo e resultado do trabalho exposto no evento. O vídeo foi projetado durante a exposição e está disponível na internet, para que todos os visitantes tenham acesso. Além de gerar verdadeira compreensão do conteúdo apresentado, agrega valor a cada trabalho exposto e incentiva o questionamento sobre a moda contemporânea e principalmente sobre a relação moda/ arte.

O circuito e palestras e debates destas duas edições contou com grandes profissionais, como por exemplo: Ângela Hirata (consultora executiva da Alpargatas), Biti Averbach (Jornalista e editora de moda), Bob Wolfenson (fotografo), Bubby Costa (fotografo), Cristina Camargo (figurinista), Denise Pollini (atrista plástica, pesquisadora e professora), Fábio Namatame (figurinista e cenógrafo), Graziela Peres (diretora de arte), Helio Hara (jornalista), João Braga (pesquisador de moda e historia da moda), Jum Nakao (estilista), Marcelo Rezende (jornalista e curador de arte), Marcio Simnch (fotografo), Mariana Lanari (editora dos principais livros de moda brasileiros), Ricardo Oliveiros (jornalista de moda), Rosane Preciosa (pesquisadora, professoa e doutora em pscicologia), Rose Andreade (pesquisadora),Vitor Santos (estilista e empresário), entre outros.

Este projeto nasce da iniciativa de jovens criadores, que acreditam poder fazer parte da discussão e da renovação da identidade de moda do próprio país, sugerindo um formato que agrega valor às criações e abre espaço não só para novos talentos, mas também para outras formas de interpretação da moda.

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